O verdadeiro custo da inércia: quando “mais tarde” se transforma, sem darmos conta, em “nunca”




Você conhece aquela sensação de empurrar uma lata para frente, sem parar? Aquele assunto importante que você precisa resolver, mas que nunca consegue encarar porque sempre surge outra coisa que também é importante, ou até mais importante ainda. Ou seja, adiamento. Uma questão de definir prioridades. É claro.
No agito do dia a dia, é comum que assuntos importantes sejam deixados de lado. Você sabe que é preciso mudar algumas coisas para trabalhar com mais eficiência e reduzir custos, mas falta tempo ou senso de urgência. Esse fenômeno é conhecido como “Custo da Inação”, ou seja, o custo de não tomar medidas.
O custo da inação abrange todos os custos ocultos, tanto mensuráveis quanto não mensuráveis diretamente, que surgem quando decisões ou melhorias são adiadas. Podem ser custos concretos, como economias perdidas, mas também custos indiretos, como a diminuição da motivação dos funcionários ou oportunidades perdidas. Devido à sua natureza oculta, muitas empresas subestimam o impacto ou simplesmente não lhe atribuem prioridade suficiente.
Mas afinal, quais são esses custos? E por que a procrastinação pode sair tão cara no contexto empresarial?
Por exemplo, na otimização de custos, a decisão de não fazer nada costuma ser a opção mais cara. Os contratos com fornecedores são renovados automaticamente, os aumentos de preço se acumulam e as faturas não são verificadas minuciosamente. Esses prejuízos financeiros vão aumentando cada vez mais sem que se perceba. Quando finalmente se toma uma atitude, às vezes já se perderam milhares ou até milhões de euros em possíveis economias.
Muitas organizações apontam três motivos comuns para o adiamento de ações:
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Um exemplo prático ilustra o impacto. Um cliente em potencial com um faturamento anual de € 150 milhões, com quem venho mantendo conversações há meses, tem um gasto anual de € 7,5 milhões em uma de suas categorias de custos. Para essa categoria específica, o potencial médio de economia é de 12%, comprovado por diversos casos recentes. Isso significa, em base anual, € 900.000 em custos que podem ser eliminados sem perda de qualidade. Todos os anos. Não por comprar menos, mas por meio de processos de compras mais eficientes e melhores acordos contratuais.
Essa situação já existia muito antes de eu entrar em contato com a empresa pela primeira vez. Há mais de dois anos, a questão vinha sendo adiada, e havia um debate interno sobre a conveniência de contratar um comprador ou recorrer a apoio externo. Nesse caso, o custo da inércia já ultrapassava os 2 milhões de euros.
Lucro que, portanto, está sendo perdido por não se tomar uma decisão para resolver a situação. Considerando que o lucro desse cliente é de apenas 3,9%. A decisão de, de fato, realizar a otimização aumentaria, portanto, o lucro em 15%. Afinal, a redução dos custos na demonstração de resultados beneficia diretamente o lucro, pois o lucro é o resultado das receitas menos os custos.
1. Analise suas despesas: faça uma análise dos gastos dos últimos 12 meses. Há categorias que não são revisadas há anos? Essas são as primeiras que devem ser analisadas.
2. Peça uma avaliação independente: às vezes, os funcionários internos estão muito envolvidos no assunto para perceber as ineficiências. Uma auditoria externa pode trazer novas perspectivas.
3. Comece pequeno, pense grande: as melhorias nem sempre precisam ser disruptivas. Às vezes, pequenos ajustes nos processos e contratos levam a melhorias significativas.
4. Reúna-se e comunique o impacto: quantifique os custos da inércia para criar apoio dentro da organização. Quando todos compreendem o que o adiamento custa, surge um senso de urgência.
5. Promova o senso de propriedade e a responsabilidade: designe responsáveis claros que garantam que os planos de economia e melhoria sejam efetivamente implementados.
A lição de “Custo da Inércia” é clara: organizações eficientes não esperam demais para resolver ineficiências e melhorar processos. O adiamento é um assassino silencioso da lucratividade e do crescimento. No fim das contas, o “mais tarde” acaba se transformando, sem que se perceba, em “nunca”. Ao controlar proativamente seus custos e economizar sempre que possível, você cria espaço para inovação, crescimento e funcionários satisfeitos.
É melhor começar a otimizar hoje do que se arrepender amanhã das oportunidades perdidas. Qual lata você vai empurrar para frente?
