A incerteza não é contexto. É um custo.
Durante muito tempo, muitas empresas geriram os seus custos como se o contexto fosse relativamente previsível.

Os preços foram revistos. Os contratos foram negociados. Os orçamentos foram ajustados. Tudo isto seguindo uma lógica conhecida. Mas o contexto mudou. Hoje, o problema não é apenas que alguns custos estão a aumentar. É cada vez mais difícil saber quando, em que medida e por quanto tempo.
E surge um custo que muitas empresas não tinham previsto no orçamento: a incerteza.
Nem sempre aparece na fatura. Não consta numa linha específica. Não é identificado como um desvio. Mas existe. Surge quando um fornecedor aplica um aumento «preventivo». Quando uma empresa aceita condições menos favoráveis por receio de ficar sem stock. Quando os stocks são aumentados por uma questão de prudência. Quando se assinam contratos com menos margem de negociação. Quando as decisões são adiadas porque o cenário não é claro.
Não se trata apenas de um custo económico. É um custo de decisão.
Porque quando o ambiente se torna incerto, muitas empresas deixam de otimizar. Começam a proteger-se. E proteger-se também é difícil.
Custa em termos de liquidez. Custa em termos de flexibilidade. Custa em termos de margin.
Isso tem um custo em termos de capacidade de negociação. O problema é que esse custo passa frequentemente despercebido. Não se traduz num aumento direto.
Está distribuído.
- Por transporte.
- No setor da energia.
- A fazer compras.
- Em stock.
- De acordo com as condições contratuais.
Em momentos de decisão. E é precisamente por isso que é tão difícil de controlar, porque o que está disperso pelas categorias já não é visto como um único problema. É aceite como contexto. É normalizado. E, com o tempo, torna-se estrutura. Eis o verdadeiro risco. Não é que o mercado seja incerto. Mas sim que a empresa gere essa incerteza sem saber quanto isso lhe está a custar. Porque nem todas as empresas perdem margin pagarem mais. Algumas perdem-na por tomarem piores decisões sob pressão. Por aceitarem condições que antes teriam questionado. Por não reverem os contratos atempadamente. Por não distinguirem entre um aumento justificado e um aumento transferido por prudência. Porque não têm visibilidade suficiente sobre as suas categorias críticas.
Neste momento, a análise dos custos não se resume apenas about de savings.

Consiste em recuperar a capacidade de tomar decisões.
Compreenda quais são os custos efetivamente expostos. Quais os fornecedores que estão a transferir o risco. Quais os contratos que já não são adequados. Quais as categorias que estão a tornar-se mais caras sem uma razão clara. E em que medida o custo responde ao mercado... e em que medida responde à falta de controlo. Porque num ambiente estável, a ineficiência pode passar despercebida. Mas num ambiente incerto, ela é amplificada, e é aí que as empresas que gerem os custos se distinguem daquelas que simplesmente os absorvem.
Porque o problema não é a incerteza. É acreditar que isso não está a ter custos, e é precisamente neste ponto que, em muitos casos, vale a pena analisar em pormenor como os custos estão a ser geridos.






























































































