No mesmo dia em que a eletricidade começou a exibir o sinal de "esgotado", também havia um aviso.




Existe um cenário muito comum em que está a viajar de carro e decide não reservar um hotel com antecedência.
Quer manter a liberdade de escolher à medida que vai viajando, por isso conduz tranquilamente, pensando que, quando chegar a altura, encontrará um quarto sem problemas.
Não é época alta. Não há conferências. Há dezenas de hotéis disponíveis.
Depois reserva em cima da hora. Ou até mesmo no próprio dia.
E quando chega à cidade… está tudo lotado.
Se é do tipo que planeia com antecedência, provavelmente isto nunca lhe aconteceu.
Mas se já improvisou uma viagem, conhece a sensação: stress, incerteza e a incómoda questão: o que fazer agora?
Algo semelhante está a começar a acontecer com a eletricidade.
E com energia Cost Optimisation também.

Durante anos, a discussão sobre a energia nas empresas girou em torno de uma única questão:
“A que preço compramos energia?”
Mas agora começa a surgir outra questão – uma que até há pouco tempo parecia improvável:
"Haverá capacidade para nos ligarmos quando precisarmos?"
Segundo dados divulgados pela Red Eléctrica, apenas 25% dos pontos de ligação da rede de transmissão têm atualmente capacidade disponível para novas exigências.
Por outras palavras: três em cada quatro "pontos de consumo" na rede eléctrica já estão saturados.
E isso não afeta apenas as novas indústrias.
Isto afeta expansões, novas instalações de produção, centros de dados e empreendimentos urbanos.
E, claro, isso também pode afetar a sua empresa.
A rede elétrica tem uma particularidade.
Quando começa a ficar saturado, nem se dá conta.
Quando está saturado, não se apercebe.
Não existem linhas visíveis.
Não há semáforos vermelhos.
Não há nenhum sinal claro que indique que o sistema está a atingir o seu limite.
No entanto, o impacto pode ser enorme.
Certamente que se recorda do apagão massivo do ano passado; chegou sem aviso prévio e desapareceu da nossa memória. Ninguém previu que acontecesse.
Segundo os próprios analistas do sector energético, o colapso da rede eléctrica pode atrasar durante anos a instalação de novas indústrias ou investimentos estratégicos.
Por outras palavras: o problema não aparece na fatura.
Isto é evidente quando a sua empresa quer crescer.
Em muitos comités executivos, a energia ainda é tratada como uma rubrica específica no departamento de compras.
O preço é negociado, o contrato é assinado e o assunto é arquivado como "resolvido".
Mas quando a infraestrutura começa a ficar sobrecarregada, esta abordagem deixa de ser suficiente.
Porque já não se trata apenas de quanto custa a energia.
A questão é se conseguirá aceder quando a sua empresa precisar.
E, nesta altura, a energia deixa de ser uma questão operacional.
Esta torna-se uma decisão estratégica.

O problema não é a falta de eletricidade.
De facto, Espanha está a bater recordes na geração de energia renovável.
O verdadeiro problema é o seguinte: embora a produção de energia esteja a aumentar cada vez mais, a rede eléctrica que necessita de a transportar não está a crescer ao mesmo ritmo.
Em 2024, cerca de 8% da energia renovável gerada já estava a ser desperdiçada, e em 2025 este número duplicou.
Enquanto isso, novas indústrias esperam anos para se ligarem — para obterem a ligação necessária para começar a operar.
É como se fosse uma cidade cheia de hotéis... mas com muito poucos quartos disponíveis.
Quando se viaja para uma cidade que acolhe um grande evento, existem dois tipos de viajantes.
Os que reservam com meses de antecedência.
E aqueles que chegam a pensar que, de alguma forma, vão encontrar algo.
Na energia setor Infelizmente, ainda existem muitas empresas que operam como estes segundos tipos de viajantes.
As empresas que antecipam as suas necessidades futuras — sejam novas fábricas, expansões ou eletrificação de processos — têm mais flexibilidade para garantir a ligação desejada.
Quem espera até ao último minuto enfrenta um problema que não depende do preço.
Depende da capacidade disponível na rede.

Se a sua empresa depende da eletricidade para crescer, executar processos ou expandir a produção, talvez seja altura de começar a fazer algumas perguntas:
Porque há algo que precisamos de deixar claro: a rede elétrica não é um recurso ilimitado.
O erro estratégico raramente reside em pagar mais alguns cêntimos por quilowatt.
O verdadeiro erro é, muitas vezes, descobrir tarde demais que não há capacidade disponível quando a sua empresa precisa de crescer.
E aí o problema deixa de ser o preço.
O problema é que não há tomada.
Nesta altura, não há outra opção senão esperar que a capacidade fique disponível na rede.
Algo que pode demorar anos.
A esta altura, tenho a certeza de que não quer que a sua empresa dependa da sorte.
As empresas que planeiam o seu acesso à rede eléctrica com antecedência têm margem para tomar decisões.
Aqueles que não dependem simplesmente da disponibilidade do sistema.
Porque gerir custos é uma coisa.
Lidar com a incerteza é outra coisa completamente diferente.
Se pretende analisar a exposição da sua empresa a este problema e que opções existem para o antecipar, podemos fazer esta análise em conjunto.
Porque, no setor energético, chegar primeiro faz, muitas vezes, toda a diferença.
Obrigado por ler mais uma semana.
Tenha um ótimo dia.
